
Quando se busca estimar a fortuna de Mounir Laggoune, logo se encontra um obstáculo: nem salário publicado, nem declaração de patrimônio acessível, nem dividendos exibidos. A maior parte de sua riqueza repousa em ações da Finary, uma startup não listada na bolsa. Esse detalhe muda tudo para quem tenta colocar um número em sua situação financeira.
Ações na Finary: um patrimônio no papel, não em uma conta bancária
O clássico erro nas estimativas de fortuna aplicadas aos fundadores de startups é confundir valorização e liquidez. Mounir Laggoune detém ações da Finary, a plataforma de gestão de patrimônio que ele cofundou. O valor dessas ações depende diretamente das rodadas de captação de recursos sucessivas e da valorização atribuída pelos investidores durante essas rodadas.
Concretamente, essas ações não geram receita enquanto não houver um evento de liquidez: venda da empresa, abertura de capital ou aquisição por um player maior. Enquanto esse evento não ocorrer, a fortuna exibida permanece teórica. É possível ter milhões de euros “no papel” e não conseguir converter um centavo em dinheiro amanhã de manhã.
Várias análises especializadas insistem nesse ponto. Quando se lê artigos que atribuem uma fortuna estimada de Mounir Laggoune em vários milhões, é preciso ter em mente que a maior parte desse montante corresponde a capital não líquido, sujeito às oscilações do mercado de startups.

Salário de CEO de uma startup: o que os dados públicos não dizem
Nenhum documento público permite conhecer o salário que Mounir Laggoune recebe como dirigente da Finary. Isso é a norma para as empresas não listadas na França: ao contrário das empresas do CAC 40, elas não têm nenhuma obrigação de publicar a remuneração de seus dirigentes.
Qualquer estimativa numérica de seu salário permanece, portanto, especulativa. As faixas que se encontram online são extrapolações baseadas nas práticas médias do setor de tecnologia, não em dados verificados. Um CEO de startup em fase de crescimento pode se pagar um salário modesto para preservar o caixa, ou, ao contrário, se remunerar confortavelmente após uma rodada de captação de recursos bem-sucedida. Os retornos variam nesse ponto de acordo com a maturidade da empresa e a pressão dos investidores.
Dividendos: uma alavanca raramente ativada em startups
A questão dos dividendos surge frequentemente nas pesquisas. Na prática, uma startup em fase de desenvolvimento reinveste quase todos os seus lucros (quando os há) em seu crescimento. Distribuir dividendos nesse estágio seria um sinal negativo enviado aos investidores.
Para a Finary, cujo modelo se baseia na assinatura e na gestão de patrimônio online, a prioridade continua sendo o desenvolvimento de produtos e a aquisição de usuários, não a distribuição de lucros aos acionistas. O que significa que os dividendos provavelmente não constituem uma fonte de receita significativa para Mounir Laggoune neste estágio.
Investimentos pessoais de Mounir Laggoune: bolsa, imóveis e cripto
Além da Finary, Mounir Laggoune construiu um portfólio diversificado que ele menciona regularmente em seus conteúdos. Seus investimentos cobrem várias classes de ativos:
- Posições na bolsa, especialmente através de ETFs e ações individuais, coerentes com a filosofia de gestão passiva que ele defende publicamente
- Imóveis, um pilar que ele menciona como componente de seu patrimônio sem detalhar os montantes
- Posições em criptomoedas, um setor que ele acompanha de perto e que faz parte do universo coberto pela Finary
O que distingue sua abordagem é a coerência entre o que ele recomenda e o que aplica. Ele utiliza sua própria plataforma para acompanhar todos os seus ativos, o que também serve como vitrine para demonstrar a utilidade da Finary. O criador de conteúdo e o fundador da startup se alimentam mutuamente.

Rendimentos de criador de conteúdo e autor: uma fonte complementar
Mounir Laggoune não é apenas fundador da Finary. Seu canal no YouTube acumula um volume de audiência significativo, e ele publicou um livro sobre investimento. Essas atividades geram rendimentos complementares por vários canais:
- A monetização do YouTube (publicidade, patrocínio eventual)
- As vendas de sua obra, disponível em livrarias e online
- Sua presença nas redes sociais, que reforça a notoriedade da Finary e gera indiretamente receita para a empresa
Esses rendimentos são provavelmente modestos comparados ao valor de suas ações na Finary, mas têm uma vantagem maior: eles são líquidos e regulares, ao contrário do capital bloqueado em uma startup. É uma rede de segurança que muitos fundadores negligenciam.
O livro como alavanca de credibilidade
Seu livro sobre independência financeira não é apenas uma fonte de rendimentos. Ele posiciona Mounir Laggoune como uma referência em pedagogia financeira, o que alimenta diretamente a aquisição de usuários para a Finary. O conteúdo educacional financia a startup tanto quanto as rodadas de captação de recursos.
Por que as estimativas de fortuna dos fundadores de startups são enganosas
Voltamos ao problema de fundo. Estimar a fortuna de um empreendedor de tecnologia somando a valorização de suas ações, seus rendimentos do YouTube e o valor de seu portfólio de investimentos dá um número impressionante, mas enganoso.
A valorização da Finary pode ser reduzida pela metade em uma próxima rodada de captação se o mercado se inverter. As criptomoedas detidas podem perder metade de seu valor em algumas semanas. Mesmo o setor imobiliário, conhecido por sua estabilidade, pode ver seus rendimentos locativos comprimidos por um aumento nas taxas de juros.
A fortuna real de um fundador de startup só se mede no momento da saída. Antes disso, trabalha-se com projeções, não com fatos. Para Mounir Laggoune, enquanto a Finary não tiver passado por um evento de liquidez significativo, qualquer estimativa permanece um exercício de estilo mais do que uma análise financeira rigorosa.